'tou flutuando
chego a descombinar da vida.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Balanço
http://relampagofrouxo.blogspot.com/2009/01/resoluo-una.html
Depois de quase um ano
missão levada com respeito.
Mas ainda há mais.
2010 viva.
Depois de quase um ano
missão levada com respeito.
Mas ainda há mais.
2010 viva.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Cabo da Roca
Hoje carreguei pelo dia uma mala
cheia de ruído de vento
que me trazia uma confiança no que não conheço.
E não me importa
que pelo caminho mala se abra
e me desalinhe os cabelos.
cheia de ruído de vento
que me trazia uma confiança no que não conheço.
E não me importa
que pelo caminho mala se abra
e me desalinhe os cabelos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O Bobo
Ele está numa vida diferente daquela
que lhe é narrada pelos outros.
Comentários chegam todos estranhos,
todos estranhos aos ouvidos.
Mas...
até que fazem sentido.
Podia ter chegado a essa conclusão. É claro.
Corre na direção contrária!
Porque aquilo que não sente
deve ser o certo.
que lhe é narrada pelos outros.
Comentários chegam todos estranhos,
todos estranhos aos ouvidos.
Mas...
até que fazem sentido.
Podia ter chegado a essa conclusão. É claro.
Corre na direção contrária!
Porque aquilo que não sente
deve ser o certo.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Diletante
É que eu tenho visto, lido e ouvido muita coisa.
Acha que passo imune a isso?
'tou pegando o mundo!
Com vulcão, oceano, abismo e tudo mais.
E colocando bem aqui no bolso.
Acha que passo imune a isso?
'tou pegando o mundo!
Com vulcão, oceano, abismo e tudo mais.
E colocando bem aqui no bolso.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Tic Tac
A espera demorou uma piscada
mas deu foi tempo de ver até unha crescer.
É que o tempo, sabe, ele é temperamental.
E eu que também sou, fico brava com ele.
Aí você pergunta de quê adianta ficar brava.
E eu lhe digo que se eu só fizesse coisas que adiantassem
chegaria cedo
no fim de uma estrada
reta, lisa, limpa
rasa.
mas deu foi tempo de ver até unha crescer.
É que o tempo, sabe, ele é temperamental.
E eu que também sou, fico brava com ele.
Aí você pergunta de quê adianta ficar brava.
E eu lhe digo que se eu só fizesse coisas que adiantassem
chegaria cedo
no fim de uma estrada
reta, lisa, limpa
rasa.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Florbela Espanca
Eu hoje li três frases que me pegaram no colo,
correram comigo p'ra lugar seco
e me responderam perguntas
até eu dormir bem.
correram comigo p'ra lugar seco
e me responderam perguntas
até eu dormir bem.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Tragam a Tesoura
Está numa caixa, até quente
com as paredes finas de papel vegetal
e ali fora, meio embaçado
mora o princípio.
com as paredes finas de papel vegetal
e ali fora, meio embaçado
mora o princípio.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Mágico de Oz 2 - Homem de Lata
Me lembro de um dia dizer
que era melhor sofrer
do que não sentir nada.
Daí chega esta hora aqui.
Em que eu tenho que me agarrar
no que eu mesmo disse.
que era melhor sofrer
do que não sentir nada.
Daí chega esta hora aqui.
Em que eu tenho que me agarrar
no que eu mesmo disse.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Mágico de Oz 1 - Leão
Eu vejo pelo buraco da fechadura
alguém bem medroso.
Que não fala o que pensa
ou faz que não pensa para não ter que falar.
Eu vejo do telhado
alguém que anda na rua com a testa franzida
como se só problema morasse ali....
Quem abriga imprevisto ganha sempre desconto.
ou faz que não pensa para não ter que falar.
Eu vejo do telhado
alguém que anda na rua com a testa franzida
como se só problema morasse ali....
Quem abriga imprevisto ganha sempre desconto.
A minha fatia de covardia é não dizer
que lhe percebo a falta de coragem.
que lhe percebo a falta de coragem.
sábado, 23 de maio de 2009
Pedido ao Sério
Onde perdeu imaginação
e aposentou brinquedo
e engavetou tolice?
Quando foi que sufocou careta
e sumiu com histórias
e guardou mirabolice?
Ao procurar pelas respostas
traga tudo de volta
e deposite na rotina.
e aposentou brinquedo
e engavetou tolice?
Quando foi que sufocou careta
e sumiu com histórias
e guardou mirabolice?
Ao procurar pelas respostas
traga tudo de volta
e deposite na rotina.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Sensores
Quando eu calcei bota de salto pela primeira vez
eu gostava do barulho no ladrilho.
Mas quando andei sozinha um dia
o barulho foi ruim.
O cheiro do produto de limpeza
do corredor da minha escola
me dava agonia quando eu chegava atrasada na aula.
Mas no dia da festa do Santo Antônio
eu achava bom.
Tenho sensores sensíveis dicotômicos.
Juízo não pode vir daí.
A não ser que poema alerte.
eu gostava do barulho no ladrilho.
Mas quando andei sozinha um dia
o barulho foi ruim.
O cheiro do produto de limpeza
do corredor da minha escola
me dava agonia quando eu chegava atrasada na aula.
Mas no dia da festa do Santo Antônio
eu achava bom.
Tenho sensores sensíveis dicotômicos.
Juízo não pode vir daí.
A não ser que poema alerte.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Ontem Choveu
Iça calcanhar na poça.
Escolhe molhar a ponta do sapato
e não a barra da calça.
Nenhuma das opções é boa,
mas uma é menos pior.
Daí p'ro conformismo é um pulo.
Pular a poça seria melhor.
Escolhe molhar a ponta do sapato
e não a barra da calça.
Nenhuma das opções é boa,
mas uma é menos pior.
Daí p'ro conformismo é um pulo.
Pular a poça seria melhor.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Não me acho nem na tristeza nem na alegria.
É na confusão.
Não entendo muita coisa. E daí só vem ímpeto.
Uma vontade de desfazer os Pedros e Marias que vejo na rua
p'ra ver se eles se montariam de novo iguais.
Vontade de ter criança pequena e largar-lhe a mão,
p'ra ver se corre sozinha sem medo, o meu medo.
Vontade de juntar as mãos em concha
e ouvir onda batendo.
Vontade de subornar a vontade de alguém
p'ra que encontre logo a minha.
É na confusão.
Não entendo muita coisa. E daí só vem ímpeto.
Uma vontade de desfazer os Pedros e Marias que vejo na rua
p'ra ver se eles se montariam de novo iguais.
Vontade de ter criança pequena e largar-lhe a mão,
p'ra ver se corre sozinha sem medo, o meu medo.
Vontade de juntar as mãos em concha
e ouvir onda batendo.
Vontade de subornar a vontade de alguém
p'ra que encontre logo a minha.
domingo, 26 de abril de 2009
Anatomia de Domingo
Os tantos olhos esbugalhados
e os dedos ensabugados
e os corações esbodegados
de quem está de fora
me interessam muito mais
do que as quarenta e quatro pernas
que jogam.
e os dedos ensabugados
e os corações esbodegados
de quem está de fora
me interessam muito mais
do que as quarenta e quatro pernas
que jogam.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Ao Telefone
Limpe da memória a sua projeção do amanhã.
Apague de uma vez, ela é falsa.
Não pense que a sua visão de ontem é mais verdadeira.
Você se lembra dele como lhe convém.
Pegue seus sentidos hoje e coloque numa latinha.
Corte um fio de barbante.
Ligue aquela latinha a mais uma.
Escolha para o outro lado da linha um coração bem quente.
E fale logo.
Apague de uma vez, ela é falsa.
Não pense que a sua visão de ontem é mais verdadeira.
Você se lembra dele como lhe convém.
Pegue seus sentidos hoje e coloque numa latinha.
Corte um fio de barbante.
Ligue aquela latinha a mais uma.
Escolha para o outro lado da linha um coração bem quente.
E fale logo.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Escambo
Tenho conceitos embaralhados
Mas sei do que estou farta.
Não posso mais com o dinheiro.
E agora? É um problema.
Não posso mais com quem o coloca
como apontador de caminhos.
Lanço mão à utopia
Chamo p'ro meu lado os tolos.
Só eles topariam,
já que não tenho respostas.
Troca direta?
Troco diretamente neste momento
uma inquietação por um bálsamo.
Mas sei do que estou farta.
Não posso mais com o dinheiro.
E agora? É um problema.
Não posso mais com quem o coloca
como apontador de caminhos.
Lanço mão à utopia
Chamo p'ro meu lado os tolos.
Só eles topariam,
já que não tenho respostas.
Troca direta?
Troco diretamente neste momento
uma inquietação por um bálsamo.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Elogio
Tem gente que desembrulha um presente com muito cuidado
para ir curtindo cada suspense de durex,
ou de repente só para aproveitar o papel e a fita depois.
Tem gente que pega o pacote e balança para tentar adivinhar o que é. É de comer? É de brincar? É só de ver?
Quando eu dava presente p'ro meu sobrinho pequeno e não era brinquedo, eu já ia avisando logo para não haver decepções: "É de roupa!" e ele agradecia desapontado.
Tem gente que tem prazer em rasgar o embrulho atabalhoadamente.
Tem gente que nem liga para o conteúdo e gosta mesmo é de ler o cartão.
De vez em quando eu ganho um presente.
E de toda a listagem das maneiras de desembrulhá-lo eu não conseguia me decidir por nenhuma.
E deixava o presente lá, embrulhado. Balbuciava um "obrigada" bem rouco, mesmo sem aproveitar o que ganhei.
Que desfeita.
Aprendi. Venho aprendendo.
Elogio é um presente que eu não sabia desembrulhar.
Mas a vida ensina. Ela escala professores bem treinados para lhe rodear.
Eles me rodeiam e com sinceridade arrematam.
para ir curtindo cada suspense de durex,
ou de repente só para aproveitar o papel e a fita depois.
Tem gente que pega o pacote e balança para tentar adivinhar o que é. É de comer? É de brincar? É só de ver?
Quando eu dava presente p'ro meu sobrinho pequeno e não era brinquedo, eu já ia avisando logo para não haver decepções: "É de roupa!" e ele agradecia desapontado.
Tem gente que tem prazer em rasgar o embrulho atabalhoadamente.
Tem gente que nem liga para o conteúdo e gosta mesmo é de ler o cartão.
De vez em quando eu ganho um presente.
E de toda a listagem das maneiras de desembrulhá-lo eu não conseguia me decidir por nenhuma.
E deixava o presente lá, embrulhado. Balbuciava um "obrigada" bem rouco, mesmo sem aproveitar o que ganhei.
Que desfeita.
Aprendi. Venho aprendendo.
Elogio é um presente que eu não sabia desembrulhar.
Mas a vida ensina. Ela escala professores bem treinados para lhe rodear.
Eles me rodeiam e com sinceridade arrematam.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Sabatina 1
Logo será futuro
E alguns 'serás' perderão a curva da interrogação.
Se tivesse que escolher
preferiria a retidão de um ponto final
ou arriscaria-se a querer a dualidade de uma exclamação?
E alguns 'serás' perderão a curva da interrogação.
Se tivesse que escolher
preferiria a retidão de um ponto final
ou arriscaria-se a querer a dualidade de uma exclamação?
terça-feira, 24 de março de 2009
Relato Quebrado
Ontem quebrei o fecho do meu colar de flaminga.
Mais cedo deixei cair meu chaveiro no chão e ele quebrou.
Outro dia sentei no chão do ônibus e quebrei protocolo.
Sexta-feira quebrei a regra e fui irresponsável.
No domingo quebrei uma briga e requebrei quadril.
Hoje eu quebrei uma promessa.
Quebrar a cara é uma possibilidade.
Mais cedo deixei cair meu chaveiro no chão e ele quebrou.
Outro dia sentei no chão do ônibus e quebrei protocolo.
Sexta-feira quebrei a regra e fui irresponsável.
No domingo quebrei uma briga e requebrei quadril.
Hoje eu quebrei uma promessa.
Quebrar a cara é uma possibilidade.
terça-feira, 17 de março de 2009
Desistência
Parem o processo.
Quero ver quem tem coragem de parar sem terminar.
Abandonem o barco. Não queiram nem saber se vai afundar e se vai faltar o ar para seus pares a bordo.
Virem a página sem umedecer a ponta do dedo. Virem a seco.
Botem pedra em cima do assunto. Calhau, rocha.
É preciso peito.
Já que é sabido
que rocha há de virar falésia
que é violada pelo mar
que molha mão que vira página
que desancora barco abandonado p'ralém
do começo do processo.
Quero ver quem tem coragem de parar sem terminar.
Abandonem o barco. Não queiram nem saber se vai afundar e se vai faltar o ar para seus pares a bordo.
Virem a página sem umedecer a ponta do dedo. Virem a seco.
Botem pedra em cima do assunto. Calhau, rocha.
É preciso peito.
Já que é sabido
que rocha há de virar falésia
que é violada pelo mar
que molha mão que vira página
que desancora barco abandonado p'ralém
do começo do processo.
sábado, 7 de março de 2009
Descomplicacionagem Geral
Hão de redigir o Manifesto da Leveza.
Que rezará pela saúde do quotidiano
Salpicando nele a simplicidade.
terça-feira, 3 de março de 2009
Pé de Cabra
Tem um tanto de porta fechada.
Nem frestinha de janela anda sobrando.
O buraquinho das cartas 'tá emperrado.
Portinhola de cachorro não vai nem vem.
Mas por muito que tenha vidro em cima
Eu olho para a clarabóia e vejo que tem bastante céu.
Só preciso saber lidar com as fechaduras,
P'ra pegar com a minha mão esse monte de mundo.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Nova Tortografia
Acordei velha, só pode.
Acordei arraigada ao ontem, deve ser.
Mas o fato é que acordei
Achando bem torto o acordo.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Das Duas, Uma.
"Que máximo você lá!
Eu ainda vou ser assim desprendido que nem você. Curtir sem ligar para o que os outros pensam".
Ou sou mesmo uma atriz e engano direitinho.
Ou eu não me conheço nada.
Eu ainda vou ser assim desprendido que nem você. Curtir sem ligar para o que os outros pensam".
Ou sou mesmo uma atriz e engano direitinho.
Ou eu não me conheço nada.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Resolução Una
Minha amiga disse que eu tenho cheiro de "boneca nova na caixa".
Culpa do perfume e dos sapatos que eu uso que ajudam a compor a imagem.
Em 2009 vou ver se essa boneca deixa a caixa.
O projeto é viver.
-----------------------------------------------------------------------------------------
"Qu’est-ce qui vous surprend le plus dans l’humanité ?" -"Les hommes… Parce qu’ils perdent la santé pour accumuler de l’argent…Ensuite ils perdent cet argent pour retrouver la santé… Et à penser anxieusement au futur, ils en oublient le présent… De telle sorte qu’ils finissent pas ne vivre ni le présent ni le futur. Ils vivent comme s’ils n’allaient jamais mourir…Et meurent comme s’ils n’avaient jamais vécu!"
Sabido esse Dailai Lama.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
É fundamental
O que me tira o sossego
é que por muito que a gente ache que não,
a razão estava era com o Poetinha.
E eu não quero ser uma daquelas a quem ele pede perdão.
é que por muito que a gente ache que não,
a razão estava era com o Poetinha.
E eu não quero ser uma daquelas a quem ele pede perdão.
domingo, 30 de novembro de 2008
E agora, José?
Se eu guardei todas as roupas que eu tenho numa mala
e só sobrou de fora o pijama que estou vestindo agora,
não me resta outra opção senão seguir sonhando.
e só sobrou de fora o pijama que estou vestindo agora,
não me resta outra opção senão seguir sonhando.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Se eu fosse pequenina, eu rezaria assim:
Aqui em casa está sem cortina.
São Pedro:
aproveite e mude logo o sol para
Santa Catarina?
São Pedro:
aproveite e mude logo o sol para
Santa Catarina?
Auto-Crítica
Às vezes vejo no olhar de algumas pessoas
que eu sou um ponto de interrogação.
Eu acho que tenho cara
de quem espera resposta
sem ter feito pergunta.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Mudança
Uma vez me perguntaram quais os sons do quotidiano que
ficam ecoando na minha cabeça.
Respondi
O tilintar da coleira do meu cachorro;
Os barulhinhos dos jogos de computador da minha mãe.
No quarto, no caminho
Na ânsia, na distância
No silêncio
Vou continuar ouvindo.
Até já
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
Dorflex
Ontem pulei muito.
Nem gostava tanto das músicas, mas fui pulando.
Fui pulando destempero.
Fui pulando mudança.
Pulei falta de esperança
E pulei entrevero.
Pulei dieta, de cabeça.
Até bom senso eu pulei.
Pulei problema de qualquer sorte.
Confusão, indefinição, eleição - pulados.
E como quem pula carniça, pulei a certeza maciça
De que quando eu olhar para trás,
O que foi pulado ainda vai me acenar.
Mas aí eu resolvo com outras músicas.
Ou olho sempre para frente.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
"Querido Diário..."
Alguém há de me apontar as crueldades.
As pequenas e aquelas, ainda maiores, que eu emprego a mim mesma.
Outro alguém há de me ressaltar as doçuras.
Algumas que nem eu sei que tenho.
Se dois alguéns repousarem num mesmo um...
Aí nem sei, viu?
As pequenas e aquelas, ainda maiores, que eu emprego a mim mesma.
Outro alguém há de me ressaltar as doçuras.
Algumas que nem eu sei que tenho.
Se dois alguéns repousarem num mesmo um...
Aí nem sei, viu?
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Desassociação
Pegue algo que aconteceu
e depois pegue a maneira como você se lembra do acontecido.
Um deve encaixar na forma do outro.
Mas quase sem perceber, ficam umas pontinhas para fora.
Onde foi que a memória desconcatenou da existência?
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Inércia Varonil
Às vezes acho que teve um concílio invisível
que nos colocou nas costas o sôfrego explodir de gargalhadas.
Ah, eu acho que é para nós batermos no peito e dizermos que apesar de tudo ainda damos risada.
O problema é que tem horas que o sorriso vai ficando amarelo, amarelo...
Até dar vergonha de estarmos parados a sorrir em vez de fazer alguma coisa.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Coluna de Economia
Os destemores estão em regime de racionamento.
Sobram gestos estreitos e curtos.
É a crise mundial atingindo os mais variados setores.
Até João Pestana anda regulando o pó de pirlimpimpim.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Mei' cá, Mei' lá
Às vezes o fio da força da gravidade ganha mais alguns sacos de areia.
Diria mesmo, uma âncora. Com corrente que estica só até o limite da realidade prática.
Não faz mal. Não mesmo.
E pelo sim, pelo não, anda-se com o travesseiro debaixo do braço
Para sonhar nos intervalos.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Não Precisa ter Título
Achando conforto no indefinido
Não se disparam certezas.
Tenho perdido o viço da exatidão
E o vício da definição.
Não se disparam certezas.
Tenho perdido o viço da exatidão
E o vício da definição.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Malabarismo
Estou nos últimos momentos de férias.
De uns dias para cá resolvi reler uns livros, com pressa.
Peguei aquele livro do Nietzsche contra Wagner e me cairam das páginas dois papéis.
Um com um pedaço de texto escrito à mão por mim, que até está postado aqui.
Outro com contas e anotações da loja que nós tínhamos.
...um papelzinho amarelo com as contas ali perturbando!
Que intromissão do quotidiano!
Não está vendo que estou tentando me livrar de você por um pouquinho?
Mas aí eu pensei.
Aquela mistura de papéis é a vida.
É a receita dessa combinação que eu tenho que aprender.
E aos poucos, eu vou.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Da Arte de Ser Imprudente
Cautela.
Em algum ponto da vida nos fartamos dela.
O melhor seria nem adquirí-la.
Mas um indivíduo sem cautela é muito próximo daquele sem escrúpulos.
Melhor seria então tentar diminuí-la à potência mínima.
O dinheiro nos deixa cautelosos. O sentimento do outro nos inspira cuidado.
Mas quanto cuidado é saudável?
Quanto cuidado nos impede de viver com mais plenitude a vida curta?
Qual a medida de questionamento que se deve pousar na beirada de uma imprudência?
Depende do grau da imprudência. Mas quem decide a amplitude?
Na arte de ser imprudente não devem caber tantas perguntas.
Pensar demais é ponto fraco.
domingo, 21 de setembro de 2008
Soprando os Ponteiros
Amanhã?
Estou com pressa de alcançar. Mas 'pera mais um pouco.
Tem muito hoje ainda.
Estou cheia de hoje.
Tenho hoje para durar até amanhã.
Estou com pressa de alcançar. Mas 'pera mais um pouco.
Tem muito hoje ainda.
Estou cheia de hoje.
Tenho hoje para durar até amanhã.
sábado, 20 de setembro de 2008
Costume
Como é difícil fazer um hábito juntar as trouxas
e ir.
Ele é como um mau hóspede.
Sempre esquece alguma coisa para trás
Para se manter presente.
e ir.
Ele é como um mau hóspede.
Sempre esquece alguma coisa para trás
Para se manter presente.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Mamãe Sabe Tudo
Eu me lembro que a minha mãe uma vez disse para eu ter cuidado com o "Livro do Desassossego".
Mas o que fazer se ele mora à distância de uma esticada de braço?
Abraça-se a imprudência de o ler em momentos perigosos.
E de sentir uma e outra vez e depois outra e ainda mais uma a cada linha
que a caneta que o escreveu era minha.
Mas o que fazer se ele mora à distância de uma esticada de braço?
Abraça-se a imprudência de o ler em momentos perigosos.
E de sentir uma e outra vez e depois outra e ainda mais uma a cada linha
que a caneta que o escreveu era minha.
Texto Quebrado
Faz tempo que aqui não escrevo.
Em parte porque meu último post ainda está atual e me sinto respeitando a validade da minha fraqueza.
Em parte porque a vida tem escrito coisas em mim, ando sendo o papel rabiscado e não a caneta que rabisca.
Em parte porque vivi. Tenho saído do meu mundo confortável. E cresci.
Em parte porque retrocedi, pois crescer e não escrever, só pode ser o contrário de progresso.
Em parte porque experimentei uma gama de delícias e também um leque de dor.
Em parte porque desleixei, deixei a bola de neve encorpar.
Se parte em várias, em parte alguma anda toda.
Em parte porque meu último post ainda está atual e me sinto respeitando a validade da minha fraqueza.
Em parte porque a vida tem escrito coisas em mim, ando sendo o papel rabiscado e não a caneta que rabisca.
Em parte porque vivi. Tenho saído do meu mundo confortável. E cresci.
Em parte porque retrocedi, pois crescer e não escrever, só pode ser o contrário de progresso.
Em parte porque experimentei uma gama de delícias e também um leque de dor.
Em parte porque desleixei, deixei a bola de neve encorpar.
Se parte em várias, em parte alguma anda toda.
(1 de Agosto de 2007)
Dança do Desespero
Botei o pé numa dança circular.
Era muito bom quando eu estava com a liberdade da renúncia.
Quero dançar, danço, não quero, fico parada.
Não consigo parar.
Antes era firme.
Era dizer não ao baile e me sentir contente com isso.
Agora não consigo parar.
Na ciranda, duas facetas vís de mim mesma me pegaram. Uma por cada mão.
E como elas dançam! Sabem as músicas e os passos para me seduzir.
Já que é para dançar, eu queria uma dança de resgate, que me trouxesse de volta a vontade.
Queria um soar de cornetas
Anunciando a cavalaria.
Era muito bom quando eu estava com a liberdade da renúncia.
Quero dançar, danço, não quero, fico parada.
Não consigo parar.
Antes era firme.
Era dizer não ao baile e me sentir contente com isso.
Agora não consigo parar.
Na ciranda, duas facetas vís de mim mesma me pegaram. Uma por cada mão.
E como elas dançam! Sabem as músicas e os passos para me seduzir.
Já que é para dançar, eu queria uma dança de resgate, que me trouxesse de volta a vontade.
Queria um soar de cornetas
Anunciando a cavalaria.
(28 de Maio de 2007)
Vida de Atriz
Estou de malas prontas para o incerto.
E quando me fito no espelho queria mesmo era rumar o definitivo.
É irremediável o desejo de exatidão e ao mesmo tempo divergente do conteúdo das valises fechadas, já encostadas na soleira da porta.
E quando me fito no espelho queria mesmo era rumar o definitivo.
É irremediável o desejo de exatidão e ao mesmo tempo divergente do conteúdo das valises fechadas, já encostadas na soleira da porta.
(5 de Maio de 2007)
Dia Ave
Tem dias que o dia me bota.
Me bota como se bota um ovo.
Tem dias em que em vez de acordar sou parida.
Sou obrigada a Ser e atravessar a rua é o Caminho de Santiago.
Nesses dias eu medito na padaria.
Eu me reconstruo no ônibus e vejo passar umas três ou quatro praças, sem nem sequer reparar nelas.
Nesses dias eu vejo menos televisão.
Eu me procuro em música e acaba que acho uma persona que sou eu e não tem nada a ver comigo.
Quando o dia me põe eu acho que o dia é ruim.
E com freqüência estou enganada.
Porque quando se é cuspido, o touro que está lá na arena lhe espera... mas você não espera o touro.
Nada melhor do que ser surpreendido por um touro... mesmo que isso no momento represente o mais absoluto terror.
Arrasto a patinha na terra e enfrento.
E aí é touro contra touro. Não é touro contra toureiro.
É para me inventar animal e fazer nascer esse mamífero corpulento de dentro da casca do ovo que o dia botou.
Gosto desses dias.
Esses dias são capazes de tudo.
Não sou de Lua, sou de Ave.
Sou do Dia Ave que bota ovo, choca.... e me obriga a comer minhoca para ficar mais forte.
Me bota como se bota um ovo.
Tem dias em que em vez de acordar sou parida.
Sou obrigada a Ser e atravessar a rua é o Caminho de Santiago.
Nesses dias eu medito na padaria.
Eu me reconstruo no ônibus e vejo passar umas três ou quatro praças, sem nem sequer reparar nelas.
Nesses dias eu vejo menos televisão.
Eu me procuro em música e acaba que acho uma persona que sou eu e não tem nada a ver comigo.
Quando o dia me põe eu acho que o dia é ruim.
E com freqüência estou enganada.
Porque quando se é cuspido, o touro que está lá na arena lhe espera... mas você não espera o touro.
Nada melhor do que ser surpreendido por um touro... mesmo que isso no momento represente o mais absoluto terror.
Arrasto a patinha na terra e enfrento.
E aí é touro contra touro. Não é touro contra toureiro.
É para me inventar animal e fazer nascer esse mamífero corpulento de dentro da casca do ovo que o dia botou.
Gosto desses dias.
Esses dias são capazes de tudo.
Não sou de Lua, sou de Ave.
Sou do Dia Ave que bota ovo, choca.... e me obriga a comer minhoca para ficar mais forte.
(02 de Maio de 2007)
Promessa P'ra Boi Dormir
Muro de lamentações este espaço não é.
É espelho do sentir que lamentável por muitas vezes é.
E por isso eu muitas vezes rio do que escrevo. E rio de como tantas vezes escrevo a palavra "eu" e ainda coloco aqui que vigio meu ego. É de rir, e é de se lamentar.
Este espaço muro de lamentações só é.
E por isso mesmo cômico. O eu que eu quero eliminar, só enaltecendo. É de rir.
Este espaço divertimento é.
É para mim. Um egoísmo partilhado com quem está lendo agora.
E está lendo coisas que escrevo sem vontade nenhuma de escrever mas com a necessidade de o fazer. Mas por quê estou dando satisfações? Para comer eu mesma minhas satisfações e me satisfazer? Porque sei que quase ninguém lê ou porque sei exatamente quem lê?
Acho que estou escrevendo muito aqui. Passando coisas que antigamente só passava para meu livrinho rosa de capa dura, com folhas verdes e grossas. Sobre elas tem tinta azul de várias canetas diferentes e um dia teve tinta preta. Não quero fazer daqui o meu livrinho de capa rosa. Mas o fato é que ele está de férias desde que comecei aqui.
Prometo que os próximos posts serão mais leves. Estou prometendo para mim e partilhando com quem lê.
É espelho do sentir que lamentável por muitas vezes é.
E por isso eu muitas vezes rio do que escrevo. E rio de como tantas vezes escrevo a palavra "eu" e ainda coloco aqui que vigio meu ego. É de rir, e é de se lamentar.
Este espaço muro de lamentações só é.
E por isso mesmo cômico. O eu que eu quero eliminar, só enaltecendo. É de rir.
Este espaço divertimento é.
É para mim. Um egoísmo partilhado com quem está lendo agora.
E está lendo coisas que escrevo sem vontade nenhuma de escrever mas com a necessidade de o fazer. Mas por quê estou dando satisfações? Para comer eu mesma minhas satisfações e me satisfazer? Porque sei que quase ninguém lê ou porque sei exatamente quem lê?
Acho que estou escrevendo muito aqui. Passando coisas que antigamente só passava para meu livrinho rosa de capa dura, com folhas verdes e grossas. Sobre elas tem tinta azul de várias canetas diferentes e um dia teve tinta preta. Não quero fazer daqui o meu livrinho de capa rosa. Mas o fato é que ele está de férias desde que comecei aqui.
Prometo que os próximos posts serão mais leves. Estou prometendo para mim e partilhando com quem lê.
(19 de abril de 2007)
Sou Bernardo Soares
"Invejo - mas não sei se invejo - aqueles de quem se pode escrever uma biografia, ou que podem escrever a própria. Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer.
Que há (de alguém) confessar que valha ou que sirva? O que nos sucedeu, ou sucedeu a toda a gente ou só a nós; num caso não é novidade, e no outro não é de compreender. Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. Faço férias das sensações. Compreendo bem as bordadoras por mágoa e as que fazem meia porque há vida. Minha tia velha fazia paciências durante o infinito do serão. Estas confissões de sentir são paciências minhas. Não as interpreto, como quem usasse cartas para saber o destino. Não as ausculto, porque nas paciências as cartas não têm propriamente valia. Desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de umas crianças para as outras. Cuido só de que o polegar não falhe o laço que lhe compete. Depois viro a mão e a imagem fica diferente. E recomeço.
Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Crochê das coisas... Intervalo... Nada...
De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo... Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter... uma vontade morta e uma reflexão que embala, como a um filho vivo... Sim, crochê..."
Não ia nem botar aspas, ia deixar as palavras como se fossem minhas. Porque são.
Sou ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.
Neste computador rendo a mim com as palavras num quase diário ao acaso.
Sou menos medíocre por isso. E por isso mesmo continuo reles, me sentindo menos medíocre. Porque sou mequetrefe e tenho "a glória noturna de ser grande não sendo nada".
Sou Bernardo Soares e dizendo isso me sinto pretensiosa ao extremo. Como pode? Pretendo ser muito, querendo e sabendo não ser nada?
Desassossego.
(19 de Abril de 2007)
Que há (de alguém) confessar que valha ou que sirva? O que nos sucedeu, ou sucedeu a toda a gente ou só a nós; num caso não é novidade, e no outro não é de compreender. Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. Faço férias das sensações. Compreendo bem as bordadoras por mágoa e as que fazem meia porque há vida. Minha tia velha fazia paciências durante o infinito do serão. Estas confissões de sentir são paciências minhas. Não as interpreto, como quem usasse cartas para saber o destino. Não as ausculto, porque nas paciências as cartas não têm propriamente valia. Desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de umas crianças para as outras. Cuido só de que o polegar não falhe o laço que lhe compete. Depois viro a mão e a imagem fica diferente. E recomeço.
Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Crochê das coisas... Intervalo... Nada...
De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo... Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter... uma vontade morta e uma reflexão que embala, como a um filho vivo... Sim, crochê..."
Não ia nem botar aspas, ia deixar as palavras como se fossem minhas. Porque são.
Sou ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.
Neste computador rendo a mim com as palavras num quase diário ao acaso.
Sou menos medíocre por isso. E por isso mesmo continuo reles, me sentindo menos medíocre. Porque sou mequetrefe e tenho "a glória noturna de ser grande não sendo nada".
Sou Bernardo Soares e dizendo isso me sinto pretensiosa ao extremo. Como pode? Pretendo ser muito, querendo e sabendo não ser nada?
Desassossego.
(19 de Abril de 2007)
Jornal Nacional
Me chegam notícias corriqueiras
de um mundo que faço parte
mas sou estrangeira.
de um mundo que faço parte
mas sou estrangeira.
(17 de Abril de 2007)
Sede
O teatro é às vezes um pouco como a sede. Só sacia quando se bebe o palco. Pelo menos é assim que se mata a sede de uma atriz.
O palco redime. Pega suas inquietações e satisfações e transforma numa coisa sui generis que se traduz em arte.
Mas o prazer de estar no palco não pode ser por si só uma compensação.
Subir no palco e fazer arte é sublime sim, mas também é um trabalho como tantos outros e tem que ser tratado como tal. Teatro não é hobby, não é frescura, não é coisa supérflua. Tem que ser valorizado e remunerado dignamente.
Este desabafo é para que se considere mais a classe artística. Não somos um bando de hedonistas que se contentam com aplausos. Queremos aplausos sim, muitos e de pé, se formos merecedores. Queremos fazer um trabalho de qualidade que nos renda a alma e expurgue os anjos e demônios que nos habitam. Mas também queremos e devemos ser respeitados como trabalhadores braçais.
Ator de teatro ganha mal, ator de teatro às vezes não ganha nada. Ator de teatro é enrolado porque é seduzido pelo palco. O palco mata a minha sede e eu com sede saciada fico feliz... e trouxa!
O palco redime. Pega suas inquietações e satisfações e transforma numa coisa sui generis que se traduz em arte.
Mas o prazer de estar no palco não pode ser por si só uma compensação.
Subir no palco e fazer arte é sublime sim, mas também é um trabalho como tantos outros e tem que ser tratado como tal. Teatro não é hobby, não é frescura, não é coisa supérflua. Tem que ser valorizado e remunerado dignamente.
Este desabafo é para que se considere mais a classe artística. Não somos um bando de hedonistas que se contentam com aplausos. Queremos aplausos sim, muitos e de pé, se formos merecedores. Queremos fazer um trabalho de qualidade que nos renda a alma e expurgue os anjos e demônios que nos habitam. Mas também queremos e devemos ser respeitados como trabalhadores braçais.
Ator de teatro ganha mal, ator de teatro às vezes não ganha nada. Ator de teatro é enrolado porque é seduzido pelo palco. O palco mata a minha sede e eu com sede saciada fico feliz... e trouxa!
(20 de Março de 2007)
Fábula Batida
Não olhou, imprudente, e foi atingida. Desnorteio para ela, desespero para o agressor involuntário e respiração suspensa para espectador - que não presenciou a cena sozinho, mas era como se assim estivesse.
Não havia tempo para indignação, a respiração tinha que normalizar e das suas mãos tinha que entregar a ela e a ele o esquecimento das horas más. Aceitem e não discutam - é preciso uma certa frieza nesses momentos.
Alguns aspectos práticos, direções técnicas e conforto é tudo o que podia oferecer... porque não havia um vento desgrenhado ou um cheiro de brisa. E um povo sorumbático não se move sem lufada de ar fresco, ainda por cima se alguém se moveu antes para soprar e amenizar as coisas. Espectador caridoso? Não. Estranho é a não-necessidade de algumas pessoas de serem balsâmicas. Foi um sonho tombado olhar aquilo tudo. Não era o atropelamento de uma pessoa, mas a queda de uma esperança, que dói muito mais que qualquer pancada.
Mudando para a primeira pessoa.
Dei meu "beijo no asfalto" e vim para casa, por minha vez, procurar meu bálsamo. Encontrei um, encontrei dois e encontrei a mim mesma, que no fundo compreende alguma inércia cultural, mas não consegue aceitá-la com facilidade.
Não havia tempo para indignação, a respiração tinha que normalizar e das suas mãos tinha que entregar a ela e a ele o esquecimento das horas más. Aceitem e não discutam - é preciso uma certa frieza nesses momentos.
Alguns aspectos práticos, direções técnicas e conforto é tudo o que podia oferecer... porque não havia um vento desgrenhado ou um cheiro de brisa. E um povo sorumbático não se move sem lufada de ar fresco, ainda por cima se alguém se moveu antes para soprar e amenizar as coisas. Espectador caridoso? Não. Estranho é a não-necessidade de algumas pessoas de serem balsâmicas. Foi um sonho tombado olhar aquilo tudo. Não era o atropelamento de uma pessoa, mas a queda de uma esperança, que dói muito mais que qualquer pancada.
Mudando para a primeira pessoa.
Dei meu "beijo no asfalto" e vim para casa, por minha vez, procurar meu bálsamo. Encontrei um, encontrei dois e encontrei a mim mesma, que no fundo compreende alguma inércia cultural, mas não consegue aceitá-la com facilidade.
(14 de Março de 2007)
Metralhadora de Disparar Flor
25 de Abril SEMPRE.
Vinte e cinco de Abril é mais que data, é mais que nome de ponte.
É um cravo a desatar, com veemente delicadeza, um nó feio e apertado.
Viva a beleza do cravo vermelho.
25 de Abril para mim. 25 de Abril para ti.
Viva Lisboa de 1974!
Vinte e cinco de Abril é mais que data, é mais que nome de ponte.
É um cravo a desatar, com veemente delicadeza, um nó feio e apertado.
Viva a beleza do cravo vermelho.
25 de Abril para mim. 25 de Abril para ti.
Viva Lisboa de 1974!
(25 de Abril de 2007)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Ok, go!
Porque o impulso de escrever tem que ser respeitado.
Porque a arte mesmo quando primária tem que correr para fora da veia e a sonegação da mesma, para o mundo e para si próprio é um equívoco.
Porque a opinião de alguém pode coincidir com a de outrém e formar um vínculo. Porque a opinião de alguém pode colidir com a de outrém e fazer o quotidiano mudar.
Por quê um blog agora?
Porque eu quero.
Porque a arte mesmo quando primária tem que correr para fora da veia e a sonegação da mesma, para o mundo e para si próprio é um equívoco.
Porque a opinião de alguém pode coincidir com a de outrém e formar um vínculo. Porque a opinião de alguém pode colidir com a de outrém e fazer o quotidiano mudar.
Por quê um blog agora?
Porque eu quero.
Assinar:
Postagens (Atom)