sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sede

O teatro é às vezes um pouco como a sede. Só sacia quando se bebe o palco. Pelo menos é assim que se mata a sede de uma atriz.
O palco redime. Pega suas inquietações e satisfações e transforma numa coisa sui generis que se traduz em arte.
Mas o prazer de estar no palco não pode ser por si só uma compensação.
Subir no palco e fazer arte é sublime sim, mas também é um trabalho como tantos outros e tem que ser tratado como tal. Teatro não é hobby, não é frescura, não é coisa supérflua. Tem que ser valorizado e remunerado dignamente.
Este desabafo é para que se considere mais a classe artística. Não somos um bando de hedonistas que se contentam com aplausos. Queremos aplausos sim, muitos e de pé, se formos merecedores. Queremos fazer um trabalho de qualidade que nos renda a alma e expurgue os anjos e demônios que nos habitam. Mas também queremos e devemos ser respeitados como trabalhadores braçais.
Ator de teatro ganha mal, ator de teatro às vezes não ganha nada. Ator de teatro é enrolado porque é seduzido pelo palco. O palco mata a minha sede e eu com sede saciada fico feliz... e trouxa!
(20 de Março de 2007)

Um comentário:

Anônimo disse...

CLAP, CLAP, CLAP!
É você. Você e toda a sua bela energia. Você coberta de razão!
Beijos